| Rota dos Descobrimentos Foram vários os Homens da Região que se destacaram na época
gloriosa dos Descobrimentos.
Armados de arrojo, coragem, de sabedoria ou simples
empenhamento, os egrégios representantes desta Região, são personagens que, ao
continuar a povoar o nosso imaginário, nos dão o mote. Recordam-nos que é necessário,
ainda hoje, "dar novos mundos ao Mundo".
Pedro Álvares Cabral Belmonte 1467(?) /
Santarém 1520(?)
Natural da vila de Belmonte - situada junto da Serra da
Estrela - filho do alcaide e fidalgo Fernão Cabral, cujas propriedades se estendiam ao
longo do sopé da Serra, permanecem ainda hoje muitos vestígios ligados a Pedro Álvares
Cabral na vila de Belmonte.
"Nesse mesmo dia (22 de Abril), houvemos vista de
terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outra serras
mais baixas ao Sul dele; e de chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o Capitão
(Cabral) pôs o nome de Pascoal e à terras A terra de Vera Cruz!"
In "A carta de Pêro Vaz de Caminha"
Pedro Álvares Cabral foi o navegador que pela primeira
vez, numa mesma viagem, aportou a quatro continentes: América, África, Ásia e Europa.
Infante D. Henrique Porto 1349 / 1460 "O
Senhor da Covilhã"
Aquele que é por todos considerado o iniciador da campanha
dos Descobrimentos e consequente expansão marítima, teve como primeiro título nobiliárquico
o de "Senhor da Covilhã".
Tendo-lhe sido doada esta terra em Tavira por seu pai D.
João I, esta doação decorreu depois da primeira conquista portuguesa conseguida
além-mar (grande porta entre Atlântico e o Mediterrâneo, Ceuta foi conquistada em
1415).
O percurso dos navegadores portugueses é sobejamente
conhecido. A Região da Serra da Estrela está directamente relacionada com esses homens
de grande arrojo. Após ter dobrado o Cabo Bojador em 1434, Gil Eanes recebeu como prémio
por seus serviços a nomeação de Fronteiro Mor da Beira, cargo que implica o controle de
toda a zona Serrana.
Criado em 1415 por D. João I, o Senhorio da Covilhã teve
origem para ser doado ao Infante D. Henrique. Desde essa data até à sua morte, o Infante
constituiu uma enorme e poderosa casa senhorial que englobava toda a actual Região da
Serra da Estrela.
Não foram os Descobrimentos e toda a sua importância, e
ficaria o nome do Infante D. Henrique na História pelo desenvolvimento que trouxe a esta
parte da Beira.
Pêro da Covilhã Covilhã 1450 / Etiópia
1530
Símbolo e expoente da aventura que foi a expansão
quinhentista, tendo como objectivo a preparação da viagem de Vasco da Gama, Pêro da
Covilhã foi o primeiro explorador Europeu das Costas da Arábia, da Índia e Costa
Oriental de África.
Por ser fluente no castelhano e ter bom domínio do árabe,
Pêro da Covilhã, foi escolhido por D. João II para a missão de espionagem e recolha de
informações acerca da possibilidade da existência de uma passagem entre o Atlântico e
o Índico. De grande importância, as informações que recolheu foram determinantes para
o sucesso da viagem de Vasco da Gama em direcção à Índia.
Pêro da Covilhã foi assim um dos iniciadores decisivos,
não só pela recolha de informações que fez mas também pelo papel diplomático, nas
relações entre a Europa e o Oriente.
Mestre José Vizinho
Mestre José Vizinho originário da importante comunidade
judaica da Covilhã, estudou em Salamanca onde foi aluno do professor de Astronomia
Abraão Zacuto. A sua grande preparação científica, juntamente com o facto de também
ser médico do Rei, levaram a que D. João II o tomasse como seu Cosmógrafo.
As suas tabelas de declinação solares, usadas pelos
Capitães e Pilotos dos navios, tornaram possível a navegação sobre e a Sul do Equador.
Estas tabelas (verificadas por Cristovão Colombo) fizeram juntamente com o Astrolábio
Náutico que a navegação se passasse a fazer de uma maneira mais científica.
Rui Faleiro Covilhã XV 1544
Sócio e mestre de Fernão de Magalhães, Rui Faleiro foi o
responsável da parte organizativa e científica da viagem em que se propunham atingir as
ilhas das Molucas, centro do Cravo e da noz.
Esta viagem resultou na primeira circum-navegação à
volta da Terra. Apesar de nunca se ter apurado qual o responsável pela ideia, sabe-se que
quer Magalhães como Faleiro e o irmão deste, se foram colocar ao serviço do Rei
espanhol. Esta situação patenteia como os avanços marítimos espanhóis se basearam nas
técnicas e ciência portuguesas.
Francisco Faleiro Covilhã XV XVI
Irmão do sócio de Fernão de Magalhães, Francisco
Faleiro foi o Cosmógrafo que mais desenvolveu os estudos para a avaliação da longitude
em pleno mar.
Notável Cosmógrafo, deixou escrito o "tratado del
esphera y del arte del marear". Esta obra foi impressa em Sevilha em 1535 e
representa um Guia Náutico em que o mais inovador é a exposição de três modos de
obter a declinação magnética por observações solares.
A colaboração com o irmão Rui Faleiro foi preponderante
na organização ao nível científico da grande viagem de circum-navegação.
Tal como seu irmão, não chegou a acompanhar Fernão de
Magalhães na sua viagem apesar de ter estado indicado por Carlos I para seguir numa
expedição atrás da frota de Magalhães. |